Menu fechado

Um ensaio para a libertação

  • Título Original: An Essay on Liberation
  • Autor: Herbert Marcuse
  • Tradução: Humberto do Amaral
  • Notas: Sílvio Carneiro e Juliano Bonamigo
  • Revisão Técnica: Sílvio Carneiro e Juliano Bonamigo
  • Edição: 1a edição: novembro/2022
Descrição
Nota da editora: esta não é apenas uma nova tradução de “An Essay on Liberation”. Trata-se de uma nova tradução, revisada  por Sílvio Carneiro, professor de filosofia da UFABC e Juliano Bonamigo, doutorando pela Universidade de Louvain, ambos especialistas em Marcuse. O livro conta com uma introdução e notas explicativas dos revisores visando situar o leitor contemporâneo e introduzir conceitos marcuseanos. Há ainda um belíssimo prefácio de Wolfgang Leo Maar.

A libertação referida por Marcuse é a de tornar-se livre da coação com que a sociedade capitalista a todos constrange com o objetivo primordial da acumulação de valor e suas consequências por demais conhecidas. Será que a humanidade não consegue satisfazer suas necessidades sem gerar desigualdade, miséria, opressão e barbárie? Barbárie que ocorre justamente quando os homens praticam uns com os outros a violência lhes imposta pela sociedade repressora em que se converteu a ordem capitalista.

Esse livro tem importância dupla: política e teórica. Política, porque chega num momento muito oportuno em que demonstra sua grande atualidade: a defesa da liberdade hoje cada vez mais rara, em nexo com igualdade, solidariedade, cooperação e felicidade num outro projeto de sociedade. Nunca se falou tanto em liberdade e nunca ela foi tão descaracterizada, vilipendiada e sequestrada num mundo dominado pelo processo de acumulação capitalista, ao qual devemos servir e que não temos a liberdade de criticar e substituir. Eis o verdadeiro caminho da servidão!

O livro confronta a não-liberdade, o simulacro apresentado como liberdade, a dos (neo)liberais apoiados em Mises, Hayek, Friedman etc… Os liberais aprisionam a liberdade como livre exploração e expropriação pela razão econômica. Impregnam mulheres e homens com a obrigação de produzir excedente e com o individualismo do culto ao mérito pessoal, numa ordem social repressora – inclusive fascista – que os apropriadores do excedente pretendem imutável. Em Cultura e sociedade, Marcuse cita como exemplo o próprio Mises, que afirma: “o capitalismo é a única ordem possível das relações sociais. (…) o fascismo e todas as orientações ditatoriais semelhantes (…) salvaram na atualidade a formação civilizatória europeia”.

Além disso e igualmente importante: o livro é uma contribuição teórica fundamental, pois enriquece a reflexão filosófica, sociopolítica, econômica e cultural com a discussão dos problemas das relações com a natureza, inclusive a natureza humana, as necessidades e a sensibilidade. Marcuse procura analisar as consequências da imposição da sociedade capitalista sobre os indivíduos em termos de mudanças na “natureza humana”. A nova sensibilidade e a praxis refletem essa situação. Os conceitos universais são compreendidos como categorias sociais finamente ajustadas a interesses e a mudanças e sua verdade precisa levar em conta essa situação. Marcuse pensa ideais como necessidades, vinculadas aos interesses a que correspondem. Discorre sobre cultura, política, educação e filosofia pela perspectiva da crítica aliada à praxis material sensível, para driblar as armadilhas tanto do idealismo quanto do materialismo raso, com frequência embutidas nos projetos de transformação social.

 

 

.

Informação Adicional